Nossa História

A criação da Associação Atlética XI de Agosto, a primeira do município e que se tornou pioneira até mesmo no Estado de São Paulo teve origem casual. A história, na verdade, teve origem num bar localizado na Praça da Matriz e, sobretudo, por incentivo de um comerciante nascido na cidade de Porto Feliz.

No ano de 1928, sob incentivo de um portofelicense que já estava instalado na cidade, Aristides Paes de Almeida juntou móveis e família e mudou-se para Tatuí. Sócio do conterrâneo, fundou o famoso Bar XV, na principal praça do município, o bar ficava na Praça da Matriz.

A sociedade durou pouco tempo e o “Seu Aristides”, como era conhecido, seguiu seu próprio rumo, sozinho. A verdade é que, como comerciante, ele revolucionou o ramo na cidade. Vendia pasteis, empadas, bolinhos, sorvetes e até café expresso. Tudo para atender a crescente freguesia que aos sábados e domingos, ao término das sessões do Cine São Martinho, invadia o estabelecimento.

Ali, ele montou uma mesa de bilhar e passou a contratar música ao vivo. As atrações musicais era a Banda Santa Cruz e uma Jazz Band formada por instrumentistas locais. Talentos como os de Frank Del Fiol (banjo), Anizinho (piston), João Del Fiol (violino), João Luiz (bateria), Juvenal Medeiros (saxofone), Juca Fonseca (rabecão) e Oswaldo Del Fiol (acordeon).

E foi nesse ambiente, musical e repleto de jovens, que foi dado o primeiro passo para a criação da Associação Atlética XI de Agosto. No ano de 1929, Seu Aristides foi nomeado festeiro de São Roque. Ele, que era apaixonado por futebol, e a modalidade esportiva em Tatuí não andava lá essas coisas, resolveu reunir os jovens que frequentavam o bar para uma partida no campo do Operário Futebol Clube. A idéia era angariar dinheiro para a festa de São Roque e juntar os rapazes que, na época, passavam boa parte do tempo por ali, comentando os assuntos do cotidiano.

Com duas equipes preparadas, duas jovens “senhoritas” tatuianas foram convidadas a serem as madrinhas. Martha Orsi (filha de Carlos Orsi) e Leontina Marteleto (mãe do advogado Matheus Jacob Hessel). A histórica partida foi realizada no dia 9 de junho de 1929. Na ocasião, o Leontina levou a melhor e venceu por 1 a 0. Após a partida, um baile de confraternização foi realizado no Clube Recreativo Onze de Agosto – onde hoje está localizada a loja Pernambucanas.

Com o sucesso da partida, os rapazes decidiram criar um time oficial para, inicialmente, terem uma opção de lazer. Novamente, o apoio do Seu Aristides, que encarregou-se de oferecer a primeira bola e ainda, tornou-se presidente honorário do grupo. O capitão da equipe foi Benedito de Barros, o famoso Dito 14. Nessa época, o time ainda não tinha sequer um nome, tanto que quando aceitaram um jogo amistoso em Angatuba tiveram de contar com o apoio do industrial Juvenal de Campos, que doou as camisas para a partida. Uma derrota com placar de 2 a 1 para os adversários marcou a estreia da equipe que, por sua vez, não desanimou. Mesmo com a derrota, os atletas organizaram um baile e uma disputa de pingue-pongue na mesma noite. Ao menos no pingue-pongue, os tatuianos venceram.

Entusiasmados com a partida em Angatuba, os rapazes começaram a estudar uma maneira de formar um quadro definitivo de futebol. O assunto era a “bola da vez” nas rodas de conversas. Os jovens passaram a se reunir em frente ao antigo Clube Recreativo para, debaixo da iluminação de um poste, discutir as possibilidades da equipe. Com novas partidas vitoriosas na região, os jovens decidiram eleger uma diretoria, mesmo sem o quadro estar registrado.

Primeiro, decidiram batizar o time. Entre as muitas sugestões, um dos atletas lembrou-se do Clube Recreativo Onze de Agosto e a equipe propôs à diretoria que encampassem o time de futebol, já que o clube promovia apenas atividades sócias. A diretoria do Recreativo Onze de Agosto acabou recusando a proposta, diante do tamanho da responsabilidade. Os atletas voltaram a discutir um nome e, por unanimidade, acataram a sugestão de Simeão Sobral de Oliveira.

O time foi batizado de XI de Agosto Futebol Clube, em homenagem ao aniversário da cidade de Tatuí. No início da década de 30, Tatuí sediava alguns campeonatos de nível municipal. Havia a competição do Operário FC, do Pindorama FC e do Santa Cruz FC. Com a equipe já batizada e dispostos a inscrevê-la nas disputa locais, os integrantes do XI de Agosto decidiram criar uma diretoria permanente. O primeiro presidente indicado de forma extraoficial – pois o grupo ainda não possuía um estatuto – foi Procedino de Almeida, o Dingo. O presidente, que era bancário, não chegou a assumir e acabou deixando o cargo para o vice-presidente Frederico Holtz, depois de ter sido transferido de agência. O grupo já pensava em organizar um estatuto e em registrá-lo na Federação Paulista de Futebol. Para tanto, o grupo convidou o advogado Chichorro Netto, que elaborou o estatuto.

Ao apresentar o documento para aprovação em assembleia, realizada no Clube Recreativo Onze de Agosto, Chichorro Netto demonstrou o estatuto já previa possibilidades mais auspiciosas.

Os jogadores do XI de Agosto e alguns torcedores aprovaram o estatuto por unanimidade. O documento já denominava a equipe de Associação Atlética XI de Agosto, prevendo que o time pudesse crescer e suas atividades viessem a ser ampliadas.

Um campo de futebol até essa época, o XI de Agosto treinava no campo de futebol do Operário FC. Cansados do empréstimo do local para treinos, os rapazes começaram a pensar em ter o campo de forma definitiva, o que lhes foi, obviamente, negado. Apesar de amigos, os atletas não cederiam o espaço justamente para uma equipe adversária jovem e ambiciosa. Em meio a conversas, um dos jogadores recordou-se de um campo aberto, um terreno baldio, sem muros nem grama.

Nesse local viria a ser fundada a Associação Atlética XI de Agosto. Foi nesse terreno que o time passou a treinar e, algum tempo depois, sob intervenção do influente Gualter Nunes, obteve a doação da área. O terreno primeiro foi doado a Gualter Nunes que, depois, oficializou doação à Associação Atlética XI de Agosto. A oficialização ocorreu somente no ano de 1946. O empenho de Gualter Nunes fez com que ele, mesmo não sendo associado agostino, se tornasse o presidente do clube de 1933 a 1935 e 1938 a 1939.

Treinando no terreno aberto, os atletas passaram por dificuldades. Com apoio de voluntários – dentre eles muitos torcedores – os atletas conseguiram fechar a área com tábuas de madeira. Para inaugurar o campo cercado por tábuas, foi agendada uma partida contra o Pindorama. Jogando com Gentil, Santinho, Dito 14, Acassio Teixeira Barbosa, Ibraim, entre outros, o XI de Agosto desta vez, a intenção era reformar o campo de futebol e construir muros e arquibancadas de tijolos. Os associados ainda eram poucos, mas a vontade era tamanha que ninguém pensava ser impossível construir um campo “de verdade” no local onde havia somente a Avenida das Mangueiras (avenida Cônego João Clímaco de Camargo) e algumas chácaras.

Uma grande campanha passou a ser feita e a mobilizar a cidade. Tatuianos, mesmo carentes, colaboravam com a construção. Para se obter o valor necessário valia tudo, inclusive a criação da “Campanha dos 500 Sócios” (para aumentar o número de associados), na qual a diretoria ofereceu um belo chapéu para quem apresentasse o maior número de associados.

Não se sabe, ao certo, quanto tempo foi necessário para arrecadar todo o montante. Fato é que, em 1935, foi agendada a partida de inauguração do empreendimento contra nada mais, nada menos, que o Palestra Itália. Vitória frente ao Palestra, a presença da equipe de São Paulo no interior já era uma grande novidade. Na época, era incomum grandes times aceitarem jogos contra equipes desconhecidas. Havia, sempre, a possibilidade do time paulistano ser derrotado e, isso, implicaria no constrangimento dos “grandes”. O Palestra Itália seria a estrela na inauguração do campo gramado, do muro, das arquibancadas e vestiários.

É sabido que o Palestra Itália não jogou com a equipe completa de titulares, mas, na época, os reservas eram quase tão importantes quanto os titulares. Dentre os conhecidos jogadores, pelo menos três entraram em campo: Nascimento, Junqueira e Carné.

Registros da época indicam que o jogo foi emocionante. O campo ficou completamente lotado.Torcedores de toda a região compareceram, atraídos não somente pela presença dos atletas do Palestra Itália, mas, também, pela fama do XI de Agosto que já se espalhava. A partida terminou com um honroso empate em 1 a 1, e com certa ajuda do juiz para que os tatuianos não vencessem.

A estrela do jogo foi Pudim, atacante de dribles rápidos e incrível velocidade. Ele ficou na história do futebol de Tatuí e na do XI de Agosto ao marcar o gol de inauguração do estádio “Doutor Gualter Nunes” frente à equipe mista do Palestra Itália (hoje Palmeiras) no dia 11 de agosto de 1935. Naquele dia, a equipe agostina jogou com Maco, Pintor, Brasilino (havia atuado na Portuguesa de Desportos), Oswaldo Avalone, Jaiminho, Vitrola, Daco, Aido Lourenço, Pudim, Lourenço e Elias.

A equipe tatuiana saiu na frente, depois cedeu o empate. Quando o XI de Agosto marcou o segundo gol, o juiz apitou o fim do jogo bem antes do horário previsto. Depois, no jantar de confraternização, na Sociedade Italiana, o próprio juiz admitiu que havia terminado a partida porque o Palestra Itália não poderia perder para um time do interior, ainda pouco conhecido na Capital.

Hino do XI de Agosto

Oi Quem vem lá?
Sou eu morena,
Oi abre alas;
Que eu quero passar.

Vermelho e preto
Sinal de guerra,
É o nosso Onze
Que estremece A terra

Quando pegamos uma
Bola amarelinha,
Não há defesa
Que segure A nossa linha

Nosso quinteto
Pega o couro e costura.
O Adversário
Olha a Bola e não segura.

Hino Agostino Gravado por Jarbas Sobral Neto (Jarbinhas)